Bastidores (3) – Solitário entre a gente

22 03 2011

Ônibus. Adoro viajar de ônibus. Porém na maioria das minhas viagens estou somente comigo mesmo. E assim eu paro para pensar e observar. Verbos pouco usados atualmente. Exercício que muita gente não consegue achar o resultado. Desistindo pelo caminho. Sem interesse pela solução.

Entra pessoa, sai pessoa. Velha, nova, alta, baixa. Qualquer tipo ou biótipo. Cada uma procura um lugar para sentar. Um lugar para sentar e se calar. Dormir, ouvir música, olhar a paisagem, o relógio, quem está do seu lado, qual seja a melhor solução para o momento. Interessante que apesar do ônibus estar lotado, todos estão sozinhos. Cada um com sua vida, sua história, mas ninguém disposto a conhecer. Pois mamãe já dizia: “não converse com estranhos, meu filho”. Então a curiosidade pelo outro fica apenas na vontade. Mesmo com segundas, terceiras ou quartas intenções.

Multidao

Então para resolver esse problema temos a internet a nossa disposição. Mamãe não pode me vigiar por aqui, só se ela tiver um profile em qualquer rede social onde conseguimos centenas (milhares) de amigos desconhecidos com gostos em comum. Esses amigos que um dia pode ter sentado ao seu lado no ônibus, na van, no banco. E nem houve nenhum “olá”. No máximo o popular robótico “que horas são?”. Hora de se pensar o que realmente significa viver em sociedade. Viver.

Desta maneira seguimos escondidos em nosso canto, perdendo oportunidades de fazer grandes amizades. Não só no ônibus, mas em nossa vida. Pois nunca se esqueça de que a felicidade só será completa quando compartilhada. Nem que seja com um estranho

Autor: Adaptação Charlie Kaufman
Fonte: pisovelho.com.br


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